Meio&Mensagem

Pandemia e saúde mental: como as empresas lidaram?

Marcas buscam formas de se conectar com seus funcionários, preservando o bem-estar de maneira mais autêntica

Henrique Cesar Mello
18 de novembro de 2021 - 10h11

Armelle Champetier e Juliana Goes falaram sobre a importância da empatia com os funcionários (Crédito: Eduardo Lopes/Imagem Paulista)

A pandemia da COVID-19 chegou e trancou muitas pessoas dentro de casa, que passaram a adotar o modelo de home office. Porém, ao tentar se precaver de uma doença tão devastadora, muitas pessoas acabaram adquirindo outras doenças, mais silenciosas, em relação à saúde mental. Com isso, algumas empresas começaram a dar mais valor ao bem-estar mental de seus funcionários. Nesse cenário, empresas de cuidado ampliaram seus valores e esforços para ajudar aqueles que precisam.

No primeiro dia do Proxxima 2021, a trilha Futuro do Trabalho apresentou o painel “Desconexão & Empatia: saúde mental ou o ROI da empatia”, que contou com participações de Armelle Champetier, diretora da Yogist, e Juliana Goes, CO-fundadora do Zen App.

O primeiro impacto da pandemia, em março, foi essencial para motivar muitas empresas a começar a se preocupar com seus colaboradores. Na Yogist, Armelle contou que muitos de seus clientes não pensavam muito nesse tema, e começaram a procurar a empresa e outras que providenciam os mesmos serviços, com a vantagem de ser adaptadas online. “No nosso caso, tivemos a oportunidade de acompanhar nossos colaboradores no dia a dia da pandemia, com técnicas simples, que pode fazer em casa, além do yoga e meditação”, contou. As pessoas começaram a procurar essas coisas pelo sedentarismo de estar preso em casa e pela saúde mental.

O apoio das marcas com conteúdos motivadores foi essencial para as empresas crescessem durante a pandemia. Juliana Goes conta que a Zen determinou o lockdown de três semanas antes de as atividades serem interrompidas oficialmente no Brasil, devido à análise do que aconteceu em outros países como a Inglaterra, onde a companhia também atua. A co-fundadora do app diz que foi um momento de crescimento, em que a empresa enxergou que poderia apoiar não somente os usuários e assinantes, mas também atuar em outros nichos, como alimentação e nutrição, dentro do bem-estar.

Para demonstrar esse apoio, as marcas começaram a oferecer várias opções que motivassem as pessoas a criar hábitos novos, como semanas de palestras sobre bem-estar, fazendo com que muitas pessoas se engajassem em suas mensagens. A Zen, por exemplo, ofereceu planos gratuitos e vitalícios para profissionais de saúde de todas as áreas, com o lema de “cuidar de quem cuida”.

A questão do cuidado com a saúde mental já vinha se difundindo previamente nas empresas, com iniciativas como o setembro amarelo e dia da saúde mental, por exemplo. Porém, a pandemia acelerou esse processo. Por mais que existam algumas empresas que ainda falem sobre isso para ir na onda, enquanto outras que se preocupam genuinamente, a conversa sobre saúde mental é sempre necessária, visto que sempre foi considerada um tabu.  Armelle conta que a Yogist proporciona aulas de yoga no ambiente corporativo e revela que sempre tem muita gente com vergonha de participar. A pandemia colocou mais luz sobre essa questão, sobretudo para as pessoas que sorem de ansiedade.

Porém, há um paradoxo.

Ao mesmo tempo que o funcionário necessita de um momento para se sentir melhor, essas empresas tentam proporcionar essa experiência através das telas. Como elas podem criar essa desconexão, sendo conectadas?

É necessária a sensibilidade por trás da marca, que quer estar presente enquanto plataforma, criando uma sintonia do discurso com a prática. Nas redes sociais da Zen, é possível encontrar uma quantidade de conteúdo que não é massiva, pois a empresa diz não querer bombardear seus parceiros, e sim, mostrar que estão presentes quando eles mais precisarem. “Existe a delicadeza e sensibilidade na gente como empresa”, conta Juliana Goes.

A relutância da aceitação de ter que se fazer algo ainda prejudica muito as pessoas e as empresas. Quando se tem a jornada presencial, o movimento de grupo pode fazer com que alguns se sintam mais a vontade ao tentar. Já quando se está em casa, no silêncio, sem ninguém olhando, portanto, a oferta online trouxe flexibilidade para as marcas incentivarem a prática de criar uma nova rotina, com sessões todos os dias, testando horários e formas.

Armelle conta que é comum as pessoas dizerem que nunca tem um horário para as atividades, mas é preciso se responsabilizar até encontrar algo que funcione para cada um. “Conseguimos acompanhar os testes das tentativas de inserir isso na rotina dos nossos colaboradores”, diz.

Hoje em dia, as empresas que buscar ajudar seus clientes com a saúde mental, como o Zen App e a Yogist, observam que o problema de muitas pessoas é a primeira experiência, pois quando eles criam o hábito novo, e fazem uma rotina incluindo, por exemplo, respiros e práticas de meditação e yoga ao longo do dia, elas não irão mais abrir mão.

O Zen App está buscando mostrar como o digital pode ser benéfico para os praticantes, principalmente para os professores, mesmo com o pós-pandemia chegando. A empresa está criando uma plataforma para os professores, entendendo o mercado e trabalhando para que eles possam continuar a atuar no digital.

Já Armelle conta que não é possível a empresa se manter apenas no digital, tendo que se adaptar ao híbrido através de testes e pesquisas com o desafio de atrair o público que ainda não teve a inciativa de ir atrás dessas práticas.

Segundo as debatedoras, a saúde mental é um tema que chegou para ficar e não deve ser abandonado como memórias da pandemia. Além de ter que ocupar seu espaço junto da importância dada à saúde física, visto que muitos dos afastamentos de empresas nos últimos anos foram por questões mentais. Não é viável para as empresas ignorar esse tópico.

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