Meio&Mensagem

“As pessoas estão atrás do conteúdo onde quer que ele esteja”

Giacomo Groff e Armando Areias explicam que a estratégia de comunicação precisa estar em todas as telas para encontrar o consumidor independente da plataforma

Carolina Huertas
18 de novembro de 2021 - 10h23

Armando Areias, Giacomo Groff e George Benson Acohamo (Crédito: Eduardo Lopes/Imagem Paulista)

O questionamento central do painel “Com quantas telas se faz uma estratégia?” do ProXXIma 2021 começou sendo respondido de primeira: “Todas”, diz Giacomo Groff, VP, diretor executivo de estratégia da R/GA. O profissional comentou ao lado de Armando Areias, head de marketing do Next e George Benson Acohamo, Sócio e CCO do BSN Creative Studio a atual liquidez do conteúdo e como ele transpassa entre as telas.   

“O conteúdo é mais rei do que nunca, o contexto é a rainha e a TV passa a ser simplesmente mais um contexto, mais uma tela. Talvez a maior delas, especialmente com a pandemia onde o cinema foi fechado. Então, as pessoas passaram a consumir o conteúdo no termo delas e esse termo transcende a TV linear. Eu tenho o meu momento e vou assistir o conteúdo que eu quero, dentre as diversas opções disponíveis, seja na TV, no meu tablet, no mobile e isso só vai se intensificar, mesmo no mundo pós-pandemia”, expõe Groff.  

Areias concorda que essa é a realidade da comunicação e que dentro disso, se torna cada vez mais comum os telespectadores consumirem um conteúdo que inicialmente é transmitido na televisão, mas a pessoa assiste em outra plataforma. “Na verdade não importa mais se ele está na televisão, é muito comum consumir um conteúdo que por acaso está passando na TV, mas você está consumindo em outras plataformas. Pode ser um reality que está na televisão, mas você está acompanhando ele via twitter, via resumo de um influenciador, não interessa mais”, pontua.  

Para Groff, o momento é comparável com a década de 50 e 60, onde se tinha a época de ouro da televisão, mas o protagonista da vez é o conteúdo. E nesse universo, ele afirma que acreditar que as pessoas não conseguem mais prestar atenção em conteúdos mais longos é um erro.

“É mentira, as pessoas passam horas assistindo Round 6 ou maratonando filmes com total atenção. É sobre a qualidade do conteúdo e quão líquido ele pode ser. Não é só oferecer o produto, mas também saber como amplificar essa história para prender a atenção das pessoas”, indaga o diretor.  

Um mercado em adaptação  

Na guerra do streaming onde todos os players querem achar o seu espaço, os executivos que o conteúdo também é o norte. Areias explica que hoje até mesmo a divulgação das próprias plataformas se ancora no conteúdo que elas têm disponível e que no fim, é o que acaba atraindo o telespectador, pois ele deseja assistir as produções independentemente de onde elas estejam.  

Para exemplificar a questão, Groff menciona o caso da Netflix que tem investido em produções próprias e mesmo nesse cenário de competição aumentou o valor das mensalidades, sem se intimidar com a concorrência. Para ele, isto está ligado a alta qualidade de produção aliado a distribuição global de forma muito rápida que o streaming proporciona.    

Porém, eles indicam que no Brasil a população é sensível com relação a preço e talvez isso possa representar a abertura de novas possibilidades apoiadas na publicidade e que ofereçam conteúdo de forma gratuita ou mais barata. Principalmente diante de modelos como o da Amazon, Apple Tv e Disney+ onde mesmo assinando mensalmente, para ter acesso a determinados conteúdos é necessário realizar outras compras nas plataformas.  

O jogo da televisão brasileira  

Com o crescimento do desejo das pessoas em consumirem seus conteúdos de forma líquida, os canais de televisão estão correndo atrás de atualizar seus modelos para entrarem no jogo. Porém, os especialistas comentam que está movimentação ainda acontece de forma muito dependente da televisão aberta.  

“Eu vejo uma movimentação das emissoras tentando extrapolar um pouco só a TV. Você vê muito um conteúdo transitando no canal digital, que se conecta com o programa, eles estão sempre tentando vender essa conexão publicitar entre todos e jogando o conteúdo para um lado e para o outro. Já existem alguns conteúdos on demand como no Globoplay, mas ainda tem uma dependência da TV aberta muito forte, estamos vivendo um momento de transição”, expõe Areias.  

O que é TV conectada?  

Com o consumo do conteúdo de forma cada vez mais transversal, se levanta a questão de um provável crescimento da TV conectada. Groff explica que hoje ela já é encontrada em diversas casa, mas não é usada ainda em todo o seu potencial.  

“A TV conectada é o total, é quase o conceito guarda-chuva de você fazer streaming de um vídeo sem passar pela linearidade da TV. E você tem três principais formas de acesso a ela: a smart TV que é hoje, se eu não me engano, a grande responsável pela maioria das televisões no Brasil, as pessoas é que ainda não usam no máximo potencial, o OTT, que são as caixinhas de conexão como Apple TV, e tem os consoles, muitas pessoas que usam o playstation ou o xbox para deixar sua TV inteligente”, disserta o executivo.  

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