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26 a 29 DE OUTUBRO DE 2020 | ONLINE

Streaming: no bolso do consumidor cabe todo mundo?

CEO do Telecine, Eldes Mattiuzo analisa as principais oportunidades e desafios do segmento

Renato Rogenski
28 de outubro de 2020 - 20h21

Eldes Mattiuzo: “Acho que tem espaço para muitos, quantos a gente ainda não sabe”

Não há nenhuma dúvida mais a respeito do potencial de alcance e penetração do mercado de streaming. Mais há uma questão fundamental para ditar a configuração de um segmento que tem ganhado tanta escala e novos players nos últimos anos: tem espaço para todo mundo no bolso e na carteira dos consumidores? Esse tópico e outras tendências deram o tom da entrevista realizada pela jornalista Bárbara Sacchitiello com Eldes Mattiuzo, CEO do Telecine.

Dos quatro milhões de assinantes do canal, um milhão deles já utilizam o streaming para consumir seus filmes prediletos, como conta o executivo. Em sua visão, o desafio de aumentar a base não está no aspecto geracional. Apesar de admitir que o público mais jovem tem adesão mais rápida e uso recorrente da plataforma, o meio tem conseguido engajar pessoas de todas as idades, desde que tenham alguma fluência no universo digital.

Para ele, o uso de dados é essencial para o setor, não apenas para converter novas vendas, como para resolver uma dor característica de todos os players do segmento: lidar com o paradoxo humano da escolha. “Isso já virou até meme. A frase é a seguinte: já fiquei trinta minutos escolhendo um filme e agora vou dormir”, conta. Por essa razão, segundo ele, os dados são uma mina de ouro, que ajudam a conhecer o consumidor e seu mood e, assim, fazer recomendações mais assertivas.

Para tornar isso possível, o executivo revela que o Telecine tem muita tecnologia como background, e um trilho de recomendação que utiliza machine learning para entender o comportamento de navegação e consumo do consumidor na plataforma. Toda camada de automação e inteligência, no entanto, é apoiada com a ajuda de uma curadoria humana, ele conta.

Apesar de alguns lançamentos terem migrado das salas de cinema para o streaming nos últimos meses, em razão da pandemia, ele não acredita que essa tendência se consolidará em um futuro próximo, pelo menos não sem uma revisão total de modelo. “Abrir mão da bilheteria de cinema é deixar muito dinheiro deixado na mesa e não acredito que a indústria cinematográfica vá fazer isso. O que pode existir é mix de estratégias de acordo com o produto. Mas, os blockbusters não podem prescindir de uma verba que muitas vezes representa 90% de tudo que eles vão arrecadar na vida”, analisa.

Sobre a pulverização do streaming e a disputa pelo bolso do consumidor, Eldes lembra que nos Estados Unidos o consumidor já tem, em média, seis assinaturas de streaming e que, quando comparadas há alguns empacotamentos de TV a cabo, nem sempre a somatória das plataformas sai mais cara. Para ele, ter ou não diversos tipos de streaming vai fazer sentido de acordo com cada público. Para uma família, por exemplo, pode ser vantajoso, assim como para um jovem, que em sua avaliação, se importa mais com o conteúdo do que com a plataforma, tendo pouca fidelidade neste sentido. “Acho que no Brasil também vamos chegar em cinco ou seis streamings por pessoas, em breve. Mas, não acho que vai ter essa guerra de quem predominar ser único. Acho que tem espaço para muitos, quantos a gente ainda não sabe”, afirma.

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