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Indústria automobilística será prestadora de serviços

Executivos da GM e da Smart Driving explicam como o dado vem transformando o mercado do automóvel

Thaís Monteiro
28 de outubro de 2020 - 17h46

Assim como todas as demais indústrias, a automobilística está sendo profundamente afetada pela transformação digital. O caminho, segundo apontado por André Gama Schaeffer, COO da Smart Driving, e Hermann Mahnke, CMO da GM, é que o segmento trabalhará mais como prestador de serviços do que propriamente em um modelo B2B2C, como é atualmente.

 

(Crédito: Gustavo Scatena/Imagem Paulista)

Nesse sentido, as montadoras estão assumindo uma função mais direta de diálogo com os clientes do que a distância que antes era concebida de contato com um CPF a cada quatro anos, em média, diz o executivo da GM. Agora, elas passam a oferecer soluções customizadas para os clientes a partir dos dados. “As montadoras passam a ser empresas de mobilidade. A indústria automobilística está passando pela maior transformação na história. Meu negócio vai ser oferecer serviços e soluções por quilômetros rodados e estabelecer uma relação diária com o CPF e não uma venda a cada 4 anos”, colocou. E essas soluções podem vir no formato de entretenimento e mídias mais assertivas.

Outra vantagem da digitalização e da fabricação de carros elétricos e autônomos é a maior redução na emissão de poluentes, pelos quais a indústria ainda é grande responsável. Ainda assim, o CMO da GM ressaltou que o Brasil está atrasado nesses avanços, porém o executivo considera o País rápido adaptador às novas tecnologias. O desafio, disse Hermann, é aprender a dialogar com a nova geração que não vê o carro com um valor tão alto e de modo tão passional quanto as anteriores, que consideravam o automóvel objeto de liberdade e status.

Para além dos carros, suas montadoras e concessionárias propriamente ditos, a inteligência de dados também beneficia asseguradoras e outras empresas, que podem criar planos mais específicos e lucrar em segmentos que não viam como vantajoso. Para ele, ainda é possível planejar toda um novo sistema de mobilidade para uma cidade com base em estilo de motorista, trânsito, uso do automóvel e outros. “Há pessoas, por exemplo, que trabalham em um emprego durante o dia e usam seu carro como Uber durante a noite. Não existe seguro para Uber porque é um carro de trabalho, mas a pessoa só usa durante um tempo mínimo dentro do seu dia. É possível mapear e comprovar que essa pessoa usa menos e, então, criarem um plano próprio para esse uso”, exemplificou Schaeffer.

De acordo com Schaeffer, apesar dos carros atuais já saírem de fábrica com sistemas digitais, ainda há espaço para transformação dos anteriores, aqueles que foram lançados antes da digitalização dos automóveis. Sua empresa, que presta esse serviço de inteligência de dados para essa indústria, é bem recebida, mas ele percebe que ainda há resistências quanto ao desconhecimento do uso de dados, ao modelo de negócio e às leis e processos como a LGPD.

“O carro conectado hoje é uma realidade. Daqui pra frente, 100% dos carros vão sair conectados e vamos transformar os antigos. Em meses todos vão sacar que o instrumento de transporte é também instrumento de entretenimento. E a oportunidade da indústria de conectar one-to-one com o consumidor não tem preço”, colocou

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