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Evento ProXXIma

26 a 29 DE OUTUBRO DE 2020 | ONLINE

Existirá amor entre homens e robôs?

Gil Giardelli, da 5era, trouxe a questão ao palco do ProXXIma, que dividiu com a humanoide Pepper

Roseani Rocha
28 de outubro de 2020 - 22h19

Giardelli: “É preciso olhar a inovação com novos conceitos e não com nossos dogmas” (Crédito: Eduardo Lopes)

É possível amar um robô?  Gil Giardelli, CEO da 5era, trouxe a questão, mas acha que a relação de empatia e sentimento entre humanos e seres artificiais não chegará a tanto (embora na Ásia tenha gente casando com protótipos humanos). Mas é inegável, acredita, que seres artificiais, assistentes virtuais e robôs irão impor uma nova lógica de comportamento aos seres humanos.

Gil esteve acompanhado no palco do ProXXIma pela humanoide Pepper, lembrando que estuda um universo de 200 deles, dos quais 16 no laboratório de sua empresa. “Ao elaborar perfis como a Pepper, entendemos nós humanos sob outra ótica, sob novas fronteiras de pensamento”, disse. Uma era, em que já estão presentes termos como legado quântico, imortalidade virtual, economia do intangível. E apesar do papel que os robôs terão nesse mundo que se descortina, não amaremos os robôs, porque no centro de tudo ainda está uma ética humana.

Para Giardelli, fala-se de robôs há dois mil anos, com os gregos já pensando em mitos de máquinas e sonhos de novas tecnologias – o filósofo Sócrates teria lamentado a invenção da escrita, pois ela tiraria tempo das pessoas para o debate filosófico. Já num período como a Revolução Francesa, o pensamento era de que “tudo que não é novo, é pernicioso”.

Hoje, disse, já vivemos a sociedade global do conhecimento, mas precisamos ser educados para falar a respeito e, por outro lado, surgem grupos que têm “paixão pela ignorância” e resolvem não saber em tempos que questões como a pandemia fazem o ser humano ter de “pensar o impensável”.

Definindo a si mesmo e ao grupo internacional de pesquisa do qual faz parte como um “tecnotimista racional”, Gil reiterou não acreditar que vamos amar robôs ou eles à gente, mas teremos um mundo muito melhor por causa deles. Destacou que ao falar de futuro, sempre pode haver erros – houve quem não acreditasse que o avião viria a se tornar um meio de transporte – mas, segundo ele, a notícia mais fabulosa é que somos obsoletos em relação à inteligência artificial e, por isso, com ela, teremos mais tempo para sermos humanos.

Num mundo híbrido, em que robôs ajudam pessoas em recuperação de Covid, ou em centros oncológicos, estão sendo criados os “humanos centauros”, o melhor das máquinas com o melhor dos robôs, em fronteiras que serão fora do nosso planeta. Quatro mil pessoas, disse, já estão testando nano robôs, que no futuro substituirão os remédios.

E quando se discutiu o 5G, no último encontro da Cúpula do G20, em Osaka, foram lançadas as bases para a sociedade com a tecnologia. E, disse, “ou mundo será de todos, ou de ninguém”. Com a pandemia, acrescentou, projetos e conceitos para 2030 estão sendo antecipados para 2022. E quem tem um smartphone hoje, brevemente terá um humanoide como a Pepper ou um robô social.

No Japão, aliás, há filas de três anos para compra de um cachorrinho-robô da Sony. Em uma loja, ele mesmo perguntou a uma senhora por que não ter um de verdade? E ela explicou que aos 80 anos não queria um que desse trabalho de cuidar, pudesse mordê-la e causasse a tristeza de morrer. Daí o conceito de empatia sintética e a recomendação de Giardelli de que é preciso olhar a inovação com novos conceitos e não com nossos dogmas.

“Todos terão de ser cientistas de dados, ter em mente economia do intangível”, disse o pesquisador, dizendo que 30% do que estudantes de medicina estudam hoje está ligado à ciência de dados, que, na área, cada vez mais quebram fronteiras entre profissionais de diferentes países. Em outro momento da apresentação ele instigou “Todo trabalho é muito nobre, mas todo trabalho cabe no século 21?”, disse, lembrando que várias atividades têm levado as pessoas à depressão. Por outro lado, para cada um emprego que se fecha, diz Gil, surgem três novos, o problema é que não estão ensinando hoje o que será preciso para o futuro. “O que estará em jogo são as habilidades humanas e nós pessoas no centro de tudo isso, mas teremos de ter novas habilidades”, argumentou.

Nunca iremos amar robôs, mas vamos amar a nova vida que eles nos trarão, acredita Giardelli, que chega a citar “robôs espirituais”, num momento em que a ciência tem algoritmos comprovando vida inteligente fora do planeta e mesmo a existência de Deus. Todo o barulho e alvoroço que se faz atualmente em torno de dados e IA, por exemplo, são segundo ele barulhos de um velho mundo despencando. Ainda assim, ele ressaltou o trabalho de “uma” profissional roboticista, auxiliando na apresentação dele no ProXXIma com a Pepper, pois algumas coisas desse velho mundo seguem resistentes a mudanças, como a participação feminina, nesse universo todo de desenvolvimento tecno-científico.

O final do painel teve direito a uma dancinha de Pepper e recados à audiência do ProXXIma, primeiro sobre o papel que os robôs têm em relação aos humanos: eles, com uma aprendizagem rápida e nós, com uma aprendizagem profunda. “Não tenham medo de inovar. Robôs vão melhorar o relacionamento entre empresas e clientes”, finalizou Pepper, sob o olhar paternal de Giardelli.

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