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Evento ProXXIma

26 a 29 DE OUTUBRO DE 2020 | ONLINE

“É preciso fazer o que é legal e o que é ético”

Cristina Palmaka, CEO da SAP para América Latina e Caribe, mostrou o lado humano da tecnologia e das consequências de suas aplicações, que demandam responsabilidade das empresas

Roseani Rocha
28 de outubro de 2020 - 16h00

Cris Palmaka: “Tecnologia tem de ser vetor de inclusão”. (Crédito: Eduardo Lopes)

No CEO Talks desta quarta-feira, abrindo as sessões de palestras e entrevistas do ProXXIma, Cristina Palmaka, CEO da SAP para América Latina e Caribe, discorreu sobre o impacto humano da tecnologia. Em plena pandemia, no último mês de agosto ela deixou de ser presidente da empresa no Brasil para assumir as duas regiões citadas em seu cargo e brincou: “Já estive no México hoje cedo e mais tarde estarei no Chile e Argentina, tudo do escritório montado na varanda de casa”, em alusão ao home office.

Para Cristina, a propósito, muito da transformação digital parece envolver apenas tecnologia e softwares, mas, no fundo, passa por uma grande mudança cultural das empresas – ela lembra que muitas eram resistentes ao home office, por exemplo, e agora, já analisam a adoção de sistemas híbridos de trabalho. E quem já fazia essa transformação está à frente na resiliência aos impactos da pandemia. A executiva da SAP também alertou ao fato de que não basta que as empresas acompanhem tecnologias e “buzz words” como machine learning e IA, se não tiverem uma visão clara do que querem ser como negócio.  “Temos clientes de segmentos diferentes. Cada um enxerga transformação digital de um jeito, mas abraçar cultura é o mais desafiador, garantir que a empresa viva genuinamente aquilo, em vez de usar termos da moda, como ‘agile”, disse.

A própria SAP, que em 2021 completará 50 anos, teve de passar por mudanças. Transformou-se em uma empresa que hoje tem uma oferta mais completa, que vai do mais tradicional – sistemas de gestão operacional, inventário, cash flow etc – à  gestão de experiência ou customer experience. No último trimestre, a empresa ganhou 600 novos clientes, somente na América Latina. Mas mesmo ela tem, ainda, um problema de imagem de marca a resolver, deixando claro ao mercado essa atuação e visão mais abrangente – a empresa tem mil desenvolvedores atuando num laboratório  em São Leopoldo, dedicados a projetos inovadores, mas sempre focados nas dores dos clientes – e precisa deixar isso mais evidente. “O sucesso do nosso passado, pode ser uma barreira para nosso futuro”, admitiu a CEO sobre a necessidade que a SAP vem encarando de deixar mais clara a todo o mercado suas novas formas de fazer negócio.

Ela citou como exemplo de cocriação com cliente, um projeto feito com a Natura, em que a multinacional de beleza queria atuar nas questões de otimização de inventário das consultoras, colaborando para que os produtos chegassem o mais rapidamente possível às clientes finais. Foi então que a SAP desenvolveu um sistema para ajudar no processo de controle de inventário, que na empresa de beleza e bem-estar foi apelidado de “Uber da consultora”.

Ao ajudar empresas a garantir a operação e governança de seus negócios, Cristina admite que a responsabilidade de empresas como a sua é muito grande, assim como no uso dos dados da população. Disse que um paper da consultoria Accenture sobre a era pós-digital, lido ano passado, abriu seus olhos sobre a responsabilidade do que tem sido feito com as tecnologias, incluindo privacidade e controle de dados, ou seja, ela viu que a responsabilidade não é do indivíduo, mas sim das empresas que lidam com as informações. “Quem tem poder de fazer a coisa certa ou não são as empresas. E não é apenas fazer o que é legal, mas o que é ético”, defendeu Cris Palmaka, contando em seguida que a SAP criou com outras empresas um comitê global de ética, que muitas vezes se antecipa ou vai além do que é estritamente legal.

Ela comemora o fato de novas gerações colocarem o propósito das empresas no centro de suas escolhas e diz que isso prova que as mudanças não são apenas de tecnologia, mas de negócio e cultura. Para Cristina, quando um fundo como o Black Rock diz que só vai investir em empresas sustentáveis, que tenha diversidade em seus conselhos, isso é um novo paradigma. E a sustentabilidade em especial é questão de olhar o longo prazo, caso contrário, não haverá planeta para se fazer negócios.

Muitos aprendizados ocorrem inclusive internamente, como quando a partir de um CEO nos EUA, a empresa parou para analisar e resolver os gaps salariais entre homens e mulheres exercendo as mesmas funções. A própria Cristina, que liderou a operação brasileira por sete anos, passou a analisar a questão em todos os níveis hierárquicos. E contou o caso de um gerente que ia contratar uma pessoa, escolheu uma mulher e ele mesmo percebeu, na proposta final enviada pelo RH, que o salário era mais baixo que o da vaga, porque feito com base no que ela recebia antes. O gerente em questão foi quem teve a iniciativa de mandar rever e corrigir a proposta, adequando ao padrão da SAP. “Muita empresa vai deixando esse tipo de coisa passar e a situação não muda”, comentou Cris.

Já sobre a inclusão no mundo da tecnologia de profissionais de outros grupos – como das periferias ou negros – a CEO relembrou que a SAP há algum tempo tem projetos educacionais, mas que costumavam reunir 100, 200 pessoas. Agora, em parceria com o governo do estado de São Paulo levará tecnologias e capacitação às Fatecs, ampliando para milhares de pessoas o raio de abrangência e ajudando esse público no fator empregabilidade. “Como empresa e ecossistema, temos de incluir mais gente. Existem talentos para quem só precisamos abrir as portas. E a tecnologia tem de ser vetor de inclusão”, pontuou Cris Palmaka.

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