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Lázaro Ramos e a comunicação do afeto

Ator comenta processo criativo e de relação com agências e anunciantes durante a pandemia

Thaís Monteiro
27 de outubro de 2020 - 22h01

Durante a pandemia, o trabalho do artista, assim como o dos demais segmentos, foi alterado. Lázaro Ramos, que além de ator, é diretor, escritor e produtor, conta que o dele também foi. Do ponto de vista da criação, ele passou  a recorrer mais às redes sociais e do ponto de vista da publicidade, conseguiu alimentar mais trocas entre as partes.

 

(Crédito: Gustavo Scatena/Imagem Paulista)

Lázaro conta que, no início do período de isolamento social, sua criatividade sofreu um baque. Ele se obrigava a produzir todos os dias, mas o produto final não era satisfatório. Sua técnica, então, foi beber um pouco de inspiração das redes sociais e do momento atual para trabalhar suas ideias. Antes reticente enquanto ao uso de redes sociais pois acreditava que elas afastavam as pessoas, hoje ele já faz uso de dados e vê esses canais como um espaço propício  para publicar conteúdos diferentes dos usuais para um público qualificado. Apesar da criatividade inicialmente afetada, seu lado escritor tem colhido frutos. Lázaro encerrou o processo de escrita de um livro para adolescentes em que trabalha há dois anos.

O ator voltou a sair para o trabalho em gravações para televisão agora, mas ainda se preocupa com o futuro da profissão, principalmente do teatro, cujas perspectivas de retomada são menos promissoras devido ao maior contato entre atores e necessidade de protocolos de segurança também nas plateias.

“No momento eu tenho três produções teatrais paradas, mas já está chegando no limite. Na televisão eu fiquei feliz de saber que os protocolos estão realmente valendo e funcionando e, em dezembro, eu começo um filme. A pandemia está durando tanto tempo e eu entendo que eu tenho que me desafiar. Mas é estranho porque é uma mudança de cultura. Eu não conheço o rosto de parte das pessoas com quem eu trabalho hoje por conta das máscaras e não posso abraças tanto as pessoas como antes”, diz.

Apesar de os trabalhos no audiovisual terem sido menos frequente durante os últimos meses, o período foi propício para uma troca mais relevante em trabalhos publicitários. De acordo com Lázaro, ele sempre buscou essa aproximação maior com o anunciante desde que começou a participar de ações publicitárias com 12 anos, mas essa abertura só se concretizou de forma mais intensa durante a pandemia, em que as agências e marcas estiveram mais aptas para ouvir novas opiniões tendo em vista que todos estão navegando tempos de incertezas.

“Se temos proximidade maior, o material fica muito mais eficiente. Quem permite, eu proponho até fazer roteiro”, brinca. “Eu nem sabia que esse diálogo era permitido. Conseguimos abrir quando, no início da pandemia, eu fui chamado para fazer uma publicidade nas redes sociais num tom festivo. E eu não me senti confortável e eles foram super receptivos e mudamos a estratégia”, descreve.

Ainda no tema publicidade, para Lázaro a indústria da comunicação avançou bastante do ponto de vista da representatividade nas peças. Ele diz, inclusive, que algumas agências o buscam procurando indicação de nomes na criação, o que considera um progresso já que a maior dificuldade está no ambiente interno dessas empresas. De acordo com ele, o argumento da falta de profissionais negros para determinadas categorias é falta de atenção.

“Eu gosto muito de falar desse assunto não só do ponto de vista da cobrança, mas dos ganhos que as empresas têm com a diversidade: novas soluções, mais receita, fidelidade de funcionários e oportunidades. Há pesquisas que mostram que quando pessoas negras são contratadas, elas são ficam mais nas empresas porque ela os deu uma oportunidade. Então tem um dado muito importante que é o dado do afeto. Quando nos relacionamos com as pessoas, é muito mais efetivo. Eu acredito no poder na palavra e procuro sempre abrir espaço na minha produtora”, afirma.

“Essa é minha vida, e eu tento contribuir. Eu sou muito respeitoso, nunca falo com um tom de verdade absoluta, sempre falo de afeto. O afeto me guia: a consciência de que você me afeta e eu te afeto. Se a pessoa não se importa com o afeto, ela não entendeu ainda”, descreve.

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