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IoT: pessoas serão devices e dados estarão mais expostos

Maria Rita Casagrande, da Outsiders-dev, e Eduardo Conejo, da Samsung, apontam como se dará o desenvolvimento da internet das coisas e como indivíduos e marcas lidarão com esse avanço

Sergio Damasceno Silva
27 de outubro de 2020 - 18h08

A internet das coisas (IoT), na 5G, não precisará mais de devices; bastará a presença da pessoa no ambiente para ativá-la. Esse deverá ser o salto com o padrão de redes de quinta geração para que a IoT atinja outro patamar. Em debate conduzido pelo cofundador da Môre.Design, Léo Xavier, com a fundadora da Outsiders-dev, Maria Rita Casagrande, e com o gerente sênior de inovação da área de P&D da Samsung, Eduardo Conejo, foram abordados o desenvolvimento da tecnologia da IoT, das redes 5G e como as pessoas enfrentarão novos problemas criados a partir dessa evolução, como eventuais ataques de hackers a carros autônomos e difusão de dados por meios impensáveis hoje, como pela TV, geladeira ou fogão conectados.

A IoT, já usada em larga escala em linhas de produção de fábricas, começou a frequentar a rotina dos consumidores por dispositivos mais evidentes como os wearables (o relógio, por exemplo), as smart TVs e os smartphones Com a popularização desses equipamentos e a expansão das redes, tudo vai se tornando conectado. Gonejo, da Samsung, ressalta que o smartphone é, talvez, o dispositivo mais evidente da IoT: está integrado ao mundo, recebe informações, envia comandos, executa atividades. “Em casa, uma geladeira conectada à internet pode receber receitas, preparar uma lista de compras, enviá-la para um supermercado. O ar-condicionado pode ter sua temperatura alterada de qualquer local para que o celular, via GPS, preveja que você está chegando em casa e regule a temperatura. Um aspirador de pó pode ser ligado a partir de qualquer lugar”, cita, como exemplos de aplicações disponíveis de IoT.

Mas, para Maria Rita, tudo o que já foi desenvolvido em IoT, baseado em tecnologia, ainda não foi apropriado como benefício. “Vestíveis e celular foram pensados focados em pessoas, mas podemos ampliar: cidades conectadas não só para performance em segurança, mas para termos melhoria em saúde, em mobilidade. Podemos avançar, porque a tecnologia por tecnologia não leva a grandes avanços. Temos que fazer novas construções, com IoT focada na melhoria de pessoas e comunidades”, elabora.

Mas, se o consumidor já pode acessar IoT para uso doméstico, quais são as oportunidades para as marcas? “São pontos de impacto diferentes, dependendo do que é criado e produzido para as pessoas”, afirma Maria Rita. “O desafio é oferecer algum tipo de serviço, não só mais conteúdo, não vai ter uma relevância que eu consuma. Ser impactado apenas pela notificação não trará o mesmo resultado. Tem que mudar a lógica de criar conteúdo pelo conteúdo e o conteúdo passar a ser um serviço”, argumenta.

O cenário de expansão e adoção da IoT, para Conejo, é claro porque os equipamentos mais modernos e sofisticados já vêm com essa tecnologia embarcada. “É um processo irreversível que o line up de produtos incorpore essa tecnologia”, afirma. Na medida em que tecnologias estão disponíveis na rotina, você cria valor para elas e aí entra o serviço associado ou a informação que gera um valor para isso. Nosso papel é introduzir a tecnologia e torná-la acessível de forma que parceiros criem valores. Hoje, temos o olhar do que há em casa: geladeira, fogão, micro-ondas, TV. Com o passar do tempo, conceberemos outros produtos. Num segundo estágio, não precisará ser como é hoje, coisas novas estarão disponíveis e integradas usando dados e serviços de forma mais fluida”, detalha o gerente da Samsung.

Sobre a questão da privacidade de dados, para Maria Rita, os devices são criados a partir de novos problemas. “Se estamos nos adaptando, não está tão acessível para que todos produzam IoT, teremos novos problemas e novos devices. O que estamos fazendo com o uso de dados? A discussão é recente, não está 100% democratizada, e, se não criamos regras e leis, se não tornamos o assunto público e acessível para todos, o uso de dados não será voltado só para coisas positivas. A questão é que se há novos locais e devices, também há novos crimes. Precisamos de um processo educacional até que segurança e privacidade de dados seja algo naturalizado”, diz.

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