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Evento ProXXIma

26 a 29 DE OUTUBRO DE 2020 | ONLINE

TemBici defende modelo eficiente de mobilidade

Tomás Martins, CEO e cofundador da empresa, comenta crescimento e aprendizados da marca ao desenvolver projetos com Itaú, iFood e outras empresas

Roseani Rocha
26 de outubro de 2020 - 16h17

Abrindo a edição 2020 do ProXXIma, na trilha CEO Talks, Tomás Martins, CEO e cofundador da TemBici, relembrou a origem da empresa, dentro da Universidade de São Paulo (USP), como um projeto de TCC de seu sócio, Mauricio Villar, que sonhava em colocar a bicicleta no dia a dia das pessoas, numa época – por volta de 2011 – em que não se falava sobre o modal ou em ciclovias. Embora tenham começado projetos sem o Itaú, pouco depois o banco tornou-se um dos principais parceiros, investindo na causa da mobilidade urbana.

Martins: equilíbrio entre receitas b2b e b2c. (Crédito: Eduardo Lopes)

Em 2014, a TemBici já tinha instalado o primeiro bicicletário no Largo da Batata, área da cidade de São Paulo que passou por um processo de revitalização e ali já foi estabelecido um contrato que envolvia iniciativas em outras cidades. Naquele ano, a TemBici faturou R$ 700 mil, dos quais R$ 300 vinham do Itaú. Entre 2015 e 2016 já haviam aumentado os projetos e no ano da Olimpíada no Brasil, a empresa faturou R$ 7 milhões. Tendo como parceiro um dos maiores bancos do país, em 2017, partiu para a aquisição da Samba, então maior player de compartilhamento de bikes e fez saltar o faturamento para R$ 70 milhões.

“Mas a empresa tinha mais de 80% de sua receita no b2b, como mídia out-of-home, mas esse potencial de escala poderia ser limitado, dado o que víamos em b2c e micromobilidade”, pontuou Tomás. Mais de uma vez, o CEO da TemBici ressaltou o quanto as discussões sobre mobilidade ganharam relevância na pandemia, com cenas como as dos canais de Veneza com águas límpidas, por conta do isolamento social, e lembrou mais de uma vez o fato de uma cidade gigantesca como São Paulo ter 70% dos deslocamentos das pessoas num raio de até oito quilômetros, o que torna muito adequada a presença de bikes como opção. Também lembrou que 70% dos cerca de 20 milhões de deslocamentos feitor por aqui não são com automóvel, no entanto, 70% da infraestrutura da cidade são destinados ao carro, ou seja, temos 70% da infraestrutura servindo a 30% dos deslocamentos. “Esse é um modelo ineficiente”, disse Tomás.  E esse tipo de questão fez a empresa partir para soluções também no b2c, que hoje responde por 55% dos negócios, em projetos que além da exposição de marca geram serviço para as comunidades envolvidas.

Para ele, o b2b e o OOH continuam relevantes e gerando valor às marcas, mas o b2c tornou-se uma forma de atrair públicos diferentes. A empresa tem parceria com o iFood, por exemplo, e aponta que 90% da utilização de bikes hoje, na capital paulista, acontece durante a semana e em horários de pico. O fenômeno da ciclo entrega passou a ser endereçado entre 2018 e 2019, quando se percebeu a necessidade, disse Tomás, de transportar bens por um modal mais sustentável, mas as soluções disponíveis até então, que previam a devolução das bicicletas em uma hora não atendiam a necessidade. Por isso veio a parceria, com prazos mais extensos e áreas de apoio na cidade onde as pessoas que trabalham com entregam podem ir ao banheiro, descansar, esquentar comida, afinal também precisam se alimentar, e carregar celular.

Para o CEO da TemBici, que em março recebeu um aporte de US$ 47 milhões, da RedPoint eVentures e outros fundos, ao trazer soluções que ajudam a resolver grandes problemas das cidades, é natural que haja erros, aprendizados e mudanças de rotas, mas o negócio continua sendo muito relevante e oportunidade para qualquer outra empresa que queira contribuir com um benefício real para as cidades. Nesse sentido, a TemBici começou pelo Recife, uma parceria com a Eletromidia, justamente para trazer outras empresas conectadas à causa.

A TemBici também começou a fazer pilotos para a integração de áreas mais periféricas das cidades a seus serviços. Um deles, com o Itaú, disponibilizou o serviço junto à estação Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, inclusive com a opção de a pessoa ficar 12h com a bike e poder devolver no dia seguinte, pois o objetivo é avançar com um serviço “ponta a ponta”.

Tomás Martins também refutou a presença do carro – autônomo ou não – num futuro em que haja preocupações efetivas com a eficiência da mobilidade. Mas sabe que isso não será feito de uma hora para a outra. “A indústria de automóveis está aí há 80 anos, então, mudar um hábito tão longo é uma transformação, é um jogo de médio-longo prazo”, pontuou. Algo que também depende muitas vezes da infraestrutura urbana e de boa vontade política governamental. Ainda assim ele diz que é preciso “acreditar na externalidade positiva” de suas ações.

Acreditar com planejamento e a citada visão de longo prazo e consciência das dificuldades. Tanto que o ambiente para mobilidade, que até pouco tempo tinha uma enxurrada de novas empresas, congestionamento de patinetes em algumas avenidas de grandes cidades, já é outro hoje em dia. “Mais maduro”, segundo o CEO da TemBici que permanece firme no mercado, segundo ele, porque sabe se questionar, mesmo quando as coisas estão indo na direção desejada, o que fez a empresa, por exemplo, não se acomodar no b2b e partir para ações e projetos mais b2c. Pivotar novos projetos, diz, é “um aprendizado duro”, pois envolve pessoas de diferentes áreas, choque e aprendizados, assim como a necessidade de entender suas capacidades e gaps internos. “Qualquer negócio é sobre pessoas e ter as pessoas certas”, pontuou.

Projetos como o da cidade de São Paulo de ter mais 170 km de ciclovias, incluindo na região da Avenida Rebouças, o que diz que há pouco tempo era algo impensável, animam o CEO da TemBici quanto ao futuro. Um rearranjo dos modais, disse, será uma questão de eficiência urbana e qualquer solução que tenha o automóvel como base, seja ele um Uber ou o carro autônomo, não será a melhor para a cidade. Para ele, o automóvel deverá existir como algo complementar, em algumas ocasiões, pois sua presença continuaria sendo um uso ineficiente de estrutura viária.

 

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