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Evento ProXXIma

17 E 18 DE NOVEMBRO - WTC SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Tecnologia humanizada

Eco Moliterno é um dos convidados do evento no debate do protagonismo das pessoas diante do desenvolvimento tecnológico

Amanda Schnaider
6 de maio de 2019 - 16h41

Que a tecnologia está cada vez mais presente em nossas vidas e em processos criativos, não há dúvidas, mas até que ponto ela pode substituir a mente humana? Esse tema está entre os principais do ProXXIma 2019.

 

Para Eco Moliterno, chief creative officer Latam da Accenture Interactive, as pessoas devem ser protagonistas na definição dos limites da automação (Crédito: Arthur Nobre)

Um dos keynotes a abordar o tema é Eco Moliterno, chief creative officer Latam da Accenture Interactive, num painel que falará sobre o futuro das experiências humanas, no primeiro dia de evento. “Toda nova tecnologia sempre traz aspectos bons e ruins”, diz, ao passo que “não cabe a essas inovações definirem seus próprios limites, mas sim a nós, humanos, direcionando para o caminho que entendermos ser correto”. Paulo Ilha, vice-presidente de mídia da DPZ&T, vai apresentar o painel “Marcas, dados e a maior tecnologia de todas: o cérebro humano” e concorda com Eco: “O poder deverá estar sempre nas pessoas. São para elas que as tecnologias são focadas”.

Como debatedor do painel, Marco Bebiano, diretor de desenvolvimento e negócios com agências do Google Brasil, afirma que “a tecnologia traz inúmeros benefícios às nossas vidas, principalmente, quando é assistente e atende a uma necessidade inerente ao ser humano”. Mas é importante lembrar que “ela é apenas uma ferramenta e que será sempre complementar à capacidade e criatividade humanas”.

Tim Lucas, líder de negócios no Brasil da escola de inovação sueca Hyper Island, falará sobre a união do potencial das tecnologias exponenciais e da inteligência artificial com as forças humanas e a inteligência emocional. “Em geral, cada nova onda tecnológica resolverá os problemas criados pelas tecnologias anteriores, mas também criará novos problemas para serem resolvidos”, comenta Tim, que se apresenta na quarta-feira.

Terminator x Iron man
Para descrever o efeito que muitas pessoas acreditam que a automação dos processos e serviços terá na vida delas, Eco recorre ao argumento do filme de ficção científica O Exterminador do Futuro, no qual as máquinas se voltam contra as pessoas. Entretanto, ele afirma que o que vai acontecer é o efeito Homem de Ferro: “Elas vão nos transformar em ‘super-humanos,’ potencializando ainda mais as nossas aptidões”. De acordo com Eco, isso não nos deixaria nem atrás nem à frente da tecnologia, mas sim ao lado dela.

Tim também acredita que as pessoas erram quando olham para a tecnologia por meio de um prisma apocalíptico, em que a humanidade é destruída. Mas também se enganam ao fazer uma leitura utópica, em que todos os problemas são resolvidos por meio do desenvolvimento tecnológico. “Nós também tendemos a ser muito ruins em prever o futuro e pensar no que perderemos e não no que poderíamos ganhar”, diz. Tim ainda se mostra preocupado com a importância excessiva que as pessoas dão para a quantidade de tecnologia, ao invés de pensarem na razão de sua existência.

Paulo Ilha, vice-presidente de mídia da DPZ&T, defende que a população e Estado têm de construir um diálogo aberto sobre avanço tecnológico (Crédito: Arthur Nobre)

Ideias fazendo sexo
Nesse contexto, seria importante unir tecnologia e empatia no processo criativo, dentro da relação entre marcas e consumidores. Eco ressalta que “para as marcas continuarem sendo relevantes para as pessoas, elas precisam criar mais vínculos emocionais, e não só racionais. Focar menos no cérebro e mais no coração”. Paulo concorda. “Não podemos deixar de lado questões que realmente importam: como criar marcas com propósitos que contribuem de verdade para melhorar a vida do consumidor?”, questiona. Ele avalia que criatividade e estratégia são fundamentais para marcas que querem ter impacto na vida dos consumidores.

Bebiano acredita que as marcas devem evoluir para atender aos anseios dos “super consumidores” e as agências devem saber como usar a tecnologia e a criatividade humana para auxiliar clientes a encontrar formas de serem mais relevantes na vida das pessoas. “Ao mensurar e também atribuir sucessos e falhas em interações de humanos e tecnologia, conseguimos entender melhor questões importantes: Como as pessoas estão reagindo a algo? O que elas estão buscando? Como estão, ou não, sendo atendidas?” Dentro da ideia de que as empresas precisam unir habilidades tecnológicas e humanas, Tim comenta que “a criatividade é mais bem definida pela facilitação de um processo de inovação, como escreve o autor inglês, Matt Ridley: ‘ideias fazendo sexo’, do que o trabalho de um gênio solitário”.

Para Paulo, “a tecnologia transformou a vida humana nos últimos anos e acarretará em transformações ainda maiores nas próximas décadas”. Nesse sentido, será crucial ter um diálogo aberto entre população e governo sobre o papel dos avanços na melhoria da qualidade de vida de todos e não só de uma minoria.

Bebiano avalia que todas as pessoas estão aprendendo juntas a lidar com a transformação social e o impacto das novas tecnologias na vida do ser humano em geral. “É um processo de transformação e, com ele, vem o aprendizado e a adaptação para todo o mercado”, reforça. Da mesma forma Tim comenta que, “ultimamente, há um ressurgimento nas tentativas de entender o ser humano e colocar uma nova importância em nossa inteligência emocional exatamente no momento em que nos sentimos ameaçados pela Inteligência Artificial”. Festivais internacionais voltados à inovação, como o SXSW, e marcas de tecnologia são exemplos de empresas que têm alimentado esse debate por meio de conteúdos, publicidade e soluções.

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