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Evento ProXXIma

17 E 18 DE NOVEMBRO - WTC SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

A era da 5G e por que isso muda tudo

O mundo se transformará consideravelmente com a evolução da rede celular e os aparelhos serão os grandes agentes dessa transformação


8 de maio de 2017 - 14h15

Por Pyr Marcondes*

Mark Zuckerberg abriu o F8, evento anual do Facebook para desenvolvedores, dizendo que, no seu entender, a câmera dos aparelhos móveis é hoje o device que pode levar a experiência de realidade virtual e aumentada para o nível das massas. E este será mais um dos diversos temas que iremos tratar nesta edição do ProXXIma, que começa nessa terça-feira, 9, em São Paulo.

Zuckerberg percebe com clareza duas coisas: uma e principal, que o mundo vai se transformar consideravelmente a partir da nova etapa da evolução do mundo mobile e de telecom, com a chegada do 5G; e também que os aparelhos móveis individuais serão os grandes agentes de mercado dessa transformação. Fala das câmeras porque é o foco dele neste momento, mas sabe que é muito mais do que isso.

 

Crédito: iStock

Zuckerberg investiu na compra da empresa Oculus, mas parece que nem ele mesmo acredita mais que serão esses aparelhos, caros, utilizáveis apenas em experiências individuais pontuais, que serão aqueles de maior relevância no mundo que está chegando, e que se tornará realidade concreta a partir de 2020 e mains­tream,­ finalmente, a partir de 2025.

Num artigo que passou despercebido do mercado (este aqui vai passar também, mas meu papel é insistir naquilo em que acredito, portanto, vamos lá) comentei, ao voltar do evento Mobile World Congress, realizado em Barcelona, em março deste ano, que estamos assistindo à chegada de uma nova era, que estou chamando aqui, na falta de outro nome melhor, de a Era da Conectividade 5G.

Para entendê-la, temos de ter em mente alguns conceitos e modelos estruturais setoriais um pouco complexos, mas que são, na verdade, o wireframe do nosso futuro.

Vamos lá.

O wireframe do nosso futuro
Há seis camadas de atividades, negócios e plataformas sobre as quais nosso futuro próximo estará baseado. São elas: a camada básica de infraestrutura tecnológica, a camada da conectividade composta pelo mundo telecom com seu emaranhado de fios e seus aparelhos móveis, a camada que está sendo construída da internet das coisas e inteligência artificial, a camada de tecnologia da informação e de dados, a camada de conteúdo e, por cima de todas elas, a camada das marcas, composta pelas indústrias e serviços finais que conhecemos, tendo como apêndice as agências de propaganda. Isso numa hierarquia vertical.

Na vertente horizontal, essas seis camadas ligam, de um lado, as empresas provedoras de tecnologia e serviços a um hub intermediário de interfaces cada vez mais inteligentes que, por sua vez, se conectam aos consumidores.

Essa estrutura, que você pode entender melhor no diagrama 1 abaixo, é a liga não só das vertentes horizontal e vertical, como na verdade é também a base de suporte da nossa indústria, a indústria da comunicação e do marketing.

Nos próximos cinco anos, essa base não deverá sofrer grandes alterações, embora em cada uma delas haverá uma explosão de avanços e inovações, além de consolidações, que explico a seguir.
Sobre essa estrutura hierárquica, em seu interior mais propriamente falando, vamos assistir à consolidação e composição de algumas indústrias.

Como você vê indicado no gráfico 2 abaixo, alguns dos pilares de toda essa cadeia começam a se misturar. As companhias telefônicas comprarão mais e mais empresas de conteúdo e de provimento de soluções tecnológicas inteligentes, buscando o mundo do marketing e da comunicação.

 

Os mesmos movimentos já estão fazendo as plataformas de tecnologia voltadas para comunicação e marketing como ­Google, Facebook e todas as demais, que também estão comprando ou fazendo acordos com empresas de publishing e conteúdo, além de seguirem adquirindo empresas de tecnologia específicas, que trazem soluções inteligentes à cadeia.

Incluímos aí empresas de tecnologia da informação como IBM, Oracle (que acabou de comprar a Moat, que é a mais destacada empresa de measurement cross platform do mundo atualmente), SAP e suas congêneres de consultoria, como Accenture, McKinsey e Deloitte, que se juntarão a todas as demais igualmente adquirindo ou fazendo alianças no mundo da comunicação e do marketing.

Vivemos já e viveremos cada vez mais um movimento de consolidação do setor de agências de propaganda, seja umas comprando as outras, seja sendo compradas por empresas de tecnologia ou de consultoria.

Por fim, teremos a consolidação de todo o ecossistema de adtech, a cadeia mais pulverizada e multifacetada de todas, com milhares de empresas em todo o mundo, basicamente fazendo ou coisas muito parecidas, ou coisas que se complementam e não têm sentido estarem separadas, ou simplesmente fazendo exatamente a mesma coisa. Elas se comprarão umas às outras ou serão compradas pelas camadas superiores da cadeia alimentar. Serão engolidas, melhor dizendo, sobrando apenas as maiores e globalmente mais bem implantadas.

Tudo o que você pensar de agora em diante sobre marketing e comunicação acontecerá dentro desses espectros hierárquicos cruzados.

Como se pode concluir, a indústria de comunicação e marketing é, por um lado, um pedacinho de toda essa complexa estrutura, sendo que nunca nos colocamos num mapa tão aberto e abrangente como esse antes. E não nos colocamos porque esse mapa simplesmente não existia. Agora, ele existe.
Por outro, nossa indústria é a noiva de plantão (dividindo o altar com a de ­adtech) com a qual todos querem casar. Para onde todos querem migrar.

Então, a dica aqui é: prepare-se para esse jogo globalmente gigante, porque dificilmente você vai conseguir ficar só no seu quadrado. Jamais.

Mas também valorize seu passe, porque teremos todos a lucrar com esse movimento de transformação estrutural, de resto inédito na história.

*Pyr Marcondes é diretor da M&M Consulting

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