Evento ProXXIma

12 E 13 DE MAIO DE 2020 | GOLDEN HALL WTC - SP

Maisa: comunicadora de nichos e massas

Transitando entre a internet e a TV aberta, a apresentadora e atriz falou sobre sua trajetória e seu relacionamento com a mídia e a publicidade

Igor Ribeiro
8 de maio de 2019 - 21h11

Maisa Silva levou ao palco do ProXXIma não só sua experiência como influenciadora digital, mas também à frente das câmeras da televisão aberta que, apesar de sua pouca idade, já é muita. Afinal, ela é presença constante na TV brasileira desde 2006, quando tinha três anos. Em meia hora de painel, Maisa foi bastante despojada, brincando consigo mesma e com a plateia, mas também falando com seriedade de assuntos mais sensíveis, como as causas sociais que defende e o modo como lida com haters.

 

Maisa Silva, influenciadora e apresentadora do SBT (Crédito: Denise Tadei)

Foi neste ano que a atriz ganhou um dos maiores desafios de sua carreira, um talk show semanal no SBT, o Programa da Maisa, que estreou em março. “Nem tive tempo de me preparar, recebi a feliz notícia de que faria o programa quando me ligaram enquanto fazia uma publicidade para Uninove”, contou. “O Silvio Santos queria o programa para duas semanas depois, ele é meio doido. Mas tivemos um mês aproximadamente até a primeira gravação, e não teve piloto, nada, tudo na raça.” Ela relatou que ficou, ao mesmo tempo, lisonjeada e apreensiva. “Será que as pessoas vão gostar ou nem vão assistir por achar que eu falo baboseira? Bom, o público está assistindo… Não que eu não fale baboseira”, brincou.

Uma de suas preocupações com o Programa da Maisa foi conscientizar-se do alcance da própria voz num  meio como a televisão aberta. “Nas redes sociais é um público muito diferente e nem todo mundo que vê TV consome internet: tem um pessoal mais humilde e o SBT sempre foi um canal do povo”, falou. “Como juntar essa galera? Aqueles que me acompanham nas redes e a audiência da televisão? Esse foi o desafio.”

Apesar de as plataformas digitais terem dado vazão à jovem que fala (quase) tudo que pensa, Maisa reconhece que deve sua formação e crescimento à televisão. “Me deu uma base, me ajudou a falar em público, comecei com duas pessoas incríveis, o Raul Gil e o Silvio, depois conheci a Hebe e tanta gente que me ajudou… Passei por outros canais, mas fui crescendo numa emissora muito legal, o SBT, sempre com profissionais com muita experiência me ajudando.”

Pequena inconsequente
“A internet me deu oportunidade de extravasar”, comparou. “Quando eu era pequena, era muito inconsequente e  não tinha noção da quantidade de pessoas me assistindo. Mas no digital, quando comecei a ver comentários no Snapchat e no Instagram, passei a entender isso melhor e como era possível me comunicar direto com fãs. E eu sempre fui muito deslumbrada com outras celebridades, tipo eu via a Xuxa ou o ator de Rebelde e pensava ‘Meu Deus!’ Sempre fui assim, mas não queria que as pessoas me vissem num lugar muito diferente”, explicou, citando o tipo de interatividade que procura com os fãs.

E são muitos. Hoje Maisa é a adolescente mais seguida no mundo no Instagram, com mais de 22,9 milhões de fãs. No Twitter tem mais cinco milhões de seguidores e no YouTube, outros cinco milhões.

“Nunca imaginaria esse número, esse resultado. Na minha cabeça a pessoa mais seguida está nos EUA, em Londres… O mundo inteiro fala inglês, ou chinês, espanhol… Pouca gente fala português”, disse. “É uma super responsabilidade e tento ao máximo não pisar na bola, não falar bobagem, meus programas no YouTube são super pensados, assim como os quadros, até mesmo minhas curtidas. Ultimamente, criança já não é a maioria entre meus seguidores, mas ainda há muitas na base, o que aumenta ainda mais meu cuidado.”

No caso da televisão, a dificuldade de falar com a massa é que cada telespectador pode entender o que se diz de maneira diferente, disse Maisa. “Cada um tem uma compreensão distinta sobre a vida e o que você fala. Cada um entende um ‘não’ de um jeito. Para mim, dosar a linguagem na TV, pensando na massa, é difícil, pois falo muito a linguagem da internet, com gírias. A gente precisa se reinventar”, explicou.

O fato de ser uma figura pública, com presença em diversos canais, também deixa a apresentadora exposta a haters. “Às vezes você fala algo e algumas pessoas entendem outra coisa e vão te atacar tanto que nem vale a pena responder, é só uma porta pra elas jogarem ódio em você”, disse. “Se eu errar, vou tentar me desculpar ou, se falei mau, tentar dizer de novo, mas tem gente que não vale a pena esquentar a cabeça. Acima de tudo, tento manter a plenitude. Explico para minha vó, para os meus pais… Vou explicar para minha família e amigos e, se eles entenderem, isso é o que importa, pois deles tenho amor de verdade. As outras pessoas vão passar…”

Fala muito
Maisa também comentou a importância de personalidades com muito alcance defenderem causas em que acreditem. “Cada cidadão é responsável pela sociedade e, a partir do momento que alguém conquista destaque, que se torna uma artista, é fundamental fazer a diferença, em qualquer área, seja na defesa do ambiente, de mulheres, crianças… Acho importante, principalmente se é algo que mexe muito com você.”

Também nessa comunicação, legitimidade é essencial para a atriz. “Tudo aquilo que resolvo comentar vem de coisas que vivencio, estudo, estão no meu dia a dia e eu concordo ou discordo, e tem coisas que resolvo não comentar pois seria completamente ignorante naquele assunto”, explicou.

Como representante de uma geração, Maisa também é um exemplo de consumidora adolescente e o que esse perfil espera das marcas, hoje. “Difícil, nem a gente mesmo sabe o que a gente quer”, brincou. “Mas o princípio para falar com o jovem é ser verdadeiro… Não adianta  contar mil coisas sobre a roupa, aí a menina vai experimentar e não é bem daquele jeito. Pois hoje aquela consumidora tem uma rede social, vai falar mal da sua marca ali e aquilo pode virar uma bola de neve.” Ela afirmou que também é importante ser mais atencioso com esse público, respondendo às suas dúvidas, ficando disponível em várias redes sociais e integrando de modo interessante várias mídias. “Eu acho muito legal quando vejo uma marca na TV, vou pesquisar o perfil dela no Instagram e lá ela também tem conteúdos legais.”

Além de continuar com seu programa semanal no SBT, Maisa assinou um contrato com a Netflix, que prevê a produção de três longas, um por ano. Nas próximas semanas deve retomar também um projeto com a Sempre Livre, falando sobre menstruação, “o que ainda é um tabu na sociedade, infelizmente, mas teremos uma nova temporada, pois tivemos um feedback muito importante da anterior”.

Sua responsabilidade também é comercial, portanto, já que Maisa representa muitas marcas. Além de Sempre Livre, há ainda Samsung, Puma e Chiquinho Sorvetes, entre outras. Segundo ela, para essa troca dar certo, é essencial partir de uma identificação com a marca. “Quase todas que sou embaixadora eu já usava, conhecia. Samsung eu não usava, só alguns produtos, mas não o celular, que fui testar e achei maravilhoso”, contou. “Mas Puma já usava, por exemplo. Meus avós me levavam pra tomar sorvete na Chiquinho quando ia no interior e nunca, naquela época, poderia imaginar que um dia iria representá-los! Pantene, por exemplo, ficava imitando a Giselle (Bündchen) fazendo propaganda”, lembrou. Maisa afirmou que a mensagem da marca também deve transmitir algo de relevante para o público dela, a geração z.

A intimidade de Maisa com propaganda reflete seu desejo de estudar comunicação, o que suscitou mais uma brincadeira com o público do ProXXIma. “Aproveitando essa plateia cheia de agências, precisando de estagiária no futuro próximo, contem comigo, sou trabalhadora!”, disse. “Já penso, sim, em faculdade e oportunidade de emprego, mas… Ai ai, sei que o mercado está complicado, né gente? Mas não me vejo em outra área além de comunicação, porque já deu pra ver né? Eu falo muito.”

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