Evento ProXXIma

7 E 8 DE MAIO DE 2019 | GOLDEN HALL WTC - SP

As empresas entendem os anseios da geração Z?

Estudo apresentado por Cíntia Gonçalves, sócia e CSO da AlmapBBDO, gera insights para o mercado a partir de debate com jovens e facilitadores

Renato Rogenski
8 de maio de 2019 - 18h35

Cíntia Gonçalves, sócia e CSO da AlmapBBDO: “Essa ideia de que eles estão abertos apenas ao ambiente online é um mito”.

Seja do ponto de vista social ou de consumo, as empresas precisam entender as principais características, comportamentos e anseios da geração Z. Para enriquecer a discussão sobre o tema, Cíntia Gonçalves, sócia e CSO da AlmapBBDO, apresentou alguns dos principais dados da pesquisa Líderes do Futuro, no palco principal do ProXXIma. Encampado pelo Meio & Mensagem, o projeto foi idealizado pela publicitária e realizado pelo consultor de histórias de comportamento Diego Selistre, com colaboração de Danilca Galdini, diretora de pesquisa da Cia de Talentos. Na visão de Cintia, é essencial que a indústria, como um todo, não baseie as suas análises sobre a geração Z a partir dos estereótipos. Para isso, ela apresenta alguns dados da pesquisa que contrariam o dito senso comum. Entre eles, o de que esses jovens preferem se comunicar pelas redes sociais no lugar de uma conversa olho no olho. Seguindo essa linha, o estudo mostra que 53% dos pesquisados prefere a comunicação pessoal no ambiente de trabalho, contra apenas 8% que prefere que as conversas profissionais ocorram prioritariamente nas mídias sociais. “Essa ideia de que eles estão abertos apenas ao ambiente online é um mito. Eles esperam sim essa conversa cara a cara, principalmente com os seus gestores”.

Antes de entrar nos outros dados da pesquisa, Cintia alertou que as empresas precisam considerar o contexto para começar a entender alguns traços característicos da geração, que nasceu e cresceu em meio a crises sociais, não viveu no mundo sem internet e que convive com modelos familiares muito mais diversos que as gerações anteriores. O estudo também mostra que a geração é menos idealista e pragmática. Reflexo disso, 77% acredita que vai ter que se esforçar mais do que seus pais para atingir o sucesso. Ainda assim, eles querem trabalhar em empresas que consigam devolver algo para a sociedade. Sob o aspecto que mais esperam das empresas para si, chama a atenção o alto índice daqueles que mencionam a mentoria (34%) como aspecto essencial. “Para muitos deles, a melhor empresa é aquela que investe em seu futuro”, diz Cintia. Um outro estereótipo quebrado pela pesquisa diz respeito ao senso comum que aponta que a maior parte dos jovens mira uma startup. Apesar de terem sinergia com o modelo, 79% diz querer trabalhar em médias e grandes empresas. “Vale lembrar que muitos desses jovens cresceram em ambientes inseguros e querem alguma estabilidade profissional”, aponta a sócia e CSO da AlmapBBDO.

A pesquisa também mostra que os integrantes da geração Z se mostram bons aprendizes, já que se alimentam de informação em múltiplas plataformas. Além disso, 96% acha que um bom líder é aquele que acompanha a jornada de aprendizagem e compartilha o que aprendeu. Na visão coletiva de público que esse grupo tem, eles também buscam uma relação mais consciente com os produtos. Reflexo disso, 26% está disposto a abandonar o consumo de determinado item dependendo da forma como ele é produzido. Ainda como consequência dessa coletividade e senso de integração, a geração Z também pode ser considerada a mais inclusiva da história. “Eles acreditam que diversidade no ambiente de trabalho tem muito a ver com a questão social”, lembra Cintia. Também é uma geração que acredita que a hierarquia se dá pelo conhecimento e não pelo cargo e que a tecnologia é somente uma ferramenta que vai ajudá-la a chegar mais rápido aos seus objetivos práticos. Além disso, para eles, a questão humana é um antidoto para o excesso de tecnologia.

Conversas ampliadas

Saindo do palco principal do ProXXIma, a temática também foi exposta na sala quatro do evento, com debates com jovens profissionais da geração Z, que ajudaram a expor e reforçar seu papel nesse debate, como Adriana Parnes, que trabalha na Ambev. “Somos uma geração preocupada com remuneração sim, evidentemente, mas também temos propósitos. Buscamos pelo trabalho algum impacto social e é importante que a empresa possa propiciar esse nosso papel como agente transformador”. Em outra etapa do debate, participaram profissionais que atuam como facilitadores ao promover a diversidade e conectar jovens da geração Z com as agências e as empresas de maneira geral. Tal estágio do painel contou com Nathalia Andrijic (SelfStrategy), Eduardo Migliano (99Jobs) e Julia Hodgkiss (Tapa no Portifa). No quesito de recrutamento dos jovens talentos, Migliano aponta o que faz com que essa geração permaneça e se desenvolva dentro de uma empresa. “Eles se perguntam duas coisas: qual é o tamanho do desafio e quais são os mentores que vão contribuir com o meu desenvolvimento?”, concluiu.

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